Renúncia de gastos do governo federal preocupa Clésio Andrade

O presidente da Confederação Nacional do Transporte, Clésio Andrade, sempre se posiciona sobre a necessidade de ampliar a estrutura de transporte existente atualmente no Brasil. Além de melhorar a qualidade do asfalto, já que atualmente 58% das estradas têm algum tipo de irregularidade, conforme apontado em investigação da própria CNT, é necessário também acabar com a dependência do transporte terrestre sobre rodas. De acordo com Clésio Andrade, 60% da nossa carga e 80% dos passageiros são transportados em rodovias, quando o número ideal é apenas 40%.

Clésio Andrade

Na opinião de Clésio Andrade, um dos maiores especialistas do país em transporte, nossas estradas devem levar 40% dos passageiros. As ferrovias, outros 40%. Os 20% restantes devem ser divididos igualmente entre o transporte marítimo e aéreo.

Renúncia em investir custa caro ao país

No ano passado, como apontado pelos dados do governo federal, foram investidos apenas R$ 11,5 bilhões no setor de transportes. É o mesmíssimo valor investido do ano de 2007, caso seja feita uma correção do montante a partir do IPCA. Em 2010, último ano de governo do presidente Lula, foram investidos R$ 20 bilhões.

“As péssimas condições de infraestrutura de transporte do Brasil, principalmente a rodoviária, são consequência dos poucos investimentos ao longo dos anos”, apontou o ex-senador Clésio Andrade em comunicado a jornalistas especializados em transporte. “O Brasil precisa realizar fortes investimentos em infraestrutura para alavancar a economia. Mas é preciso oferecer segurança jurídica aos investidores”.

Clésio Andrade: investigação desde 2014 alerta sobre estradas ruins

Clésio Andrade

Em artigo publicado pela revista CNT de novembro de 2014, Clésio Andrade já alertava para a situação ruim das estradas brasileiras e o risco que elas representam para a sociedade brasileira. Somente no ano de 2013, e só nas rodovias mantidas pela administração da então presidente Dilma Rousseff, mais de 8 mil pessoas perderam a vida em 180 mil acidentes de trânsito.

CNT: Investigação anual aponta sempre os mesmos problemas

A Confederação Nacional do Transporte, presidida por Clésio Andrade, conduz uma investigação anual sobre a situação das estradas brasileiras. Em 2014, foram detectados problemas em 60% dos trechos analisados. Em 2016, esse número diminuiu muito pouco, abaixando para 58,2%. Em dois anos, a melhora não é o bastante sequer para ultrapassar a margem de erro da pesquisa.

Sem poder prever o impeachment da presidente Dilma, quando ainda nem se falava na possibilidade de renúncia, o ex-senador apostou em seu artigo que a ex-presidente faria um pacto em torno da infraestrutura. Isso não foi feito, e brasileiros continuam a morrer diariamente nas estradas federais, estaduais e também nas péssimas ruas mantidas pelas prefeituras. Além disso, não foram feitos investimentos em hidrovia, ferrovia e nem em outros modais de transporte. Em documento elaborado pela CNT naquele ano, Clésio apontava a necessidade de investimento de mais de R$ 1 trilhão para acabar com todos os problemas.

Infelizmente os problemas devem permanecer os mesmos nos próximos anos, e a situação nas rodovias mais críticas, como a BR-262, BR- 251, BR-116 e BR-135, deve se repetir no próximo estudo, a ser publicado em 2017.