Renúncia de gastos do governo federal preocupa Clésio Andrade

O presidente da Confederação Nacional do Transporte, Clésio Andrade, sempre se posiciona sobre a necessidade de ampliar a estrutura de transporte existente atualmente no Brasil. Além de melhorar a qualidade do asfalto, já que atualmente 58% das estradas têm algum tipo de irregularidade, conforme apontado em investigação da própria CNT, é necessário também acabar com a dependência do transporte terrestre sobre rodas. De acordo com Clésio Andrade, 60% da nossa carga e 80% dos passageiros são transportados em rodovias, quando o número ideal é apenas 40%.

Clésio Andrade

Na opinião de Clésio Andrade, um dos maiores especialistas do país em transporte, nossas estradas devem levar 40% dos passageiros. As ferrovias, outros 40%. Os 20% restantes devem ser divididos igualmente entre o transporte marítimo e aéreo.

Renúncia em investir custa caro ao país

No ano passado, como apontado pelos dados do governo federal, foram investidos apenas R$ 11,5 bilhões no setor de transportes. É o mesmíssimo valor investido do ano de 2007, caso seja feita uma correção do montante a partir do IPCA. Em 2010, último ano de governo do presidente Lula, foram investidos R$ 20 bilhões.

“As péssimas condições de infraestrutura de transporte do Brasil, principalmente a rodoviária, são consequência dos poucos investimentos ao longo dos anos”, apontou o ex-senador Clésio Andrade em comunicado a jornalistas especializados em transporte. “O Brasil precisa realizar fortes investimentos em infraestrutura para alavancar a economia. Mas é preciso oferecer segurança jurídica aos investidores”.

Ex-senador critica renúncia de gastos do governo federal

A crise financeira continua afetando o setor de transporte brasileiro. Em um balanço feito pela Confederação Nacional do Transporte, disponibilizado no Economia em Foco sobre o ano passado, a situação do setor de logística, já muito ruim devido à crise, piorou ainda mais devido ao total abandono em relação às rodovias e estradas nacionais.

Clésio Andrade

O alerta já vinha sendo feito há algum tempo por Clésio Andrade, presidente da Confederação Nacional do Transporte. Se não fosse aumentado o investimento público nas estradas e outros modais de transporte, a economia como um todo sofreria. A população com os buracos, e os empresários com a péssima qualidade da malha asfáltica brasileira. Em um período de crise, o aumento de custo com manutenção e derivados corrói a lucratividade das empresas. Preocupa o número de caminhões encostados nos pátios, seja por problemas mecânicos, ou por ociosidade.

Ex-senador Clésio Andrade critica governo federal após investigação

“O governo federal, apesar do esforço em quitar suas dívidas (pagamento de Restos a Pagar) referentes aos investimentos em infraestrutura de transporte, não foi capaz de viabilizar as intervenções necessárias para modernizar, expandir e melhorar a sua qualidade”.

Segundo a investigação feita pela CNT, presidida pelo ex-senador Clésio Andrade, dos R$ 11,54 bilhões pagos pelo governo Dilma Rousseff e pelo governo Michel Temer, apenas 39% se referem a obras novas. Todo o resto, infelizmente, é para pagar dívidas antigas: o famoso restos a pagar.